Rilke me escreveu,
O jovem poeta era eu,
Ainda em verdes sonhos,
Não poderia falar
Sobre nada além
Dos arroubos da paixão,
Os mais experientes,
Graças às delongas
Dos muitos anos vividos,
Poderiam dar-se ao luxo
De compartilhar histórias,
Aos pobres de vivência,
Restava falar das emoções.
Diante da euforia
Da poesia concretizada,
Eis que cedi ao anseio
De ter um julgamento
De sua nobre alma.
Mas agora vejo
Que ele estava certo,
A arte transcende,
E quem seria a crítica
Para alcançá-la?
E enquanto eu acreditava
Que poesias inventava,
Elas me reinventavam
E sem elas eu sou nada.
E a cada hiato
Entre as criações
Me sinto um pouco morto
E só consigo voltar a vida,
Quando escrevo
Mais uma palavra.
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