Se tem uma coisa que me irrita é a excessiva exploração jornalística sobre o assunto da moda.
Da hora que liguei a televisão hoje até o presente momento, tudo o que vi foi “APAGÃO”. Entendo a importância e a magnitude do acontecimento, sei que a população precisa de explicações sobre o ocorrido, uma vez que grande parte dela foi afetada, mas, se não fosse o dito fato, o que os jornais apresentariam hoje?
Mas, já que todos resolveram dissertar sobre o assunto da moda, que ao menos tivessem feito com qualidade. Um milhão de especulações. O problema ocorreu em linhas de transmissão de Furnas, mas um jornal do meio-dia convidou profissionais da Ampla e da Light e nem comentou se tinha ou não chamado alguém de Furnas para falar sobre o assunto. Um jornal da noite mostrou uma reportagem em que um político comentava sobre o assunto e dizia que é inadmissível que exista racionamento em um país como o Brasil, o último apagão não tem nada a ver com racionamento, não é problema de geração, foi um problema casual de transmissão. Depois ouvi vários especialistas e políticos comentando sobre a necessidade de campos de geração mais próximos dos centros de consumo. O tipo de geração mais comum nas proximidades dos centros de consumo são as usinas termelétricas, de fato é uma energia mais segura, que não depende da sazonalidade, como é o caso das represas das hidrelétricas, mas não vi em momento algum os programas comentarem sobre o alto preço da energia gerada por usinas termelétricas, quando comparadas com hidrelétricas. Para fechar com chave de ouro, o repórter chegou próximo à subestação no interior de São Paulo e disse que para se ter uma idéia da potência que passava pelas linhas de transmissão, era só ouvir o “ronco” próximo às torres. Amigos, o “ronco” ao qual o nosso repórter se referia chama-se efeito corona e não tem nada a ver com a quantidade de potência transportada pelas linhas de transmissão. Tudo bem, trata-se de um jornalista, não de um engenheiro elétrico, mas nesses casos ainda vale a máxima “Só abra a boca quando tiver certeza”.

Comentários