
"...Debaixo d'água lá se vai a vida inteira...O sertão vai virar mar, dá no coração um medo que algum dia o mar também vire sertão..."
Sá, Rodrigues e Guarabira
"...Eu pedi pra chover mas chover de mansinho, pra ver se nascia uma planta no chão..."
Gordurinha e Nelinho
"...Choveu que abarrotou, foi tanta água que meu boi nadou..."
Cordel do Fogo Encantado
"...Uma esmola para o sertanejo, ou corrompe o sujeito ou lhe mata de vergonha..."
Luiz Gonzaga
Quem vê nos jornais as notícias da água invadindo as cidades nordestinas, como Sobral, Trizidela e Parnaíba, por mais que se solidarize nem imagina o impacto que isso tem na vida do homem do sertão. Ver morrer o boi levado pela enxurrada, junto com o pasto e os móveis de sua casa e, com sorte, ver seus filhos com fome e sem morada.
Pior do que não ter mais nada, é ter consciência que não é má sorte essa estada, que é a mão do homem que escreve essa história tão trágica, ao passo que destrói aquela que deveria ser conservada.
Não sou sertaneja de corpo, mas de alma, e me tira a calma tudo o que faz sofrer minha gente, ainda mais quando penso que ela é a parte que mais sente as reviravoltas de um mundo, cujos frutos não lhe pertencem.
Neste cinco de junho, dia do meio ambiente, venho escrever todas as minhas mágoas, desabafar no papel, publicar no blog toda a minha raiva, porque, como engenheira, sei que a tecnologia não veio para destruir o mundo em que vivemos, não estamos aqui para aplaudir um céu cinzento. Herdamos matas, mangues, cachoeiras, cascatas, e o que deixaremos? Nada?
Delirose Ramos
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